Exausta com poucas palavras, agora
insônia e um zumbido no ouvido que sempre me tira do silêncio.
Estou a pensar na vida, minha pele do
rosto sensível à emoção e à temperatura começa a dar sinais de irritação. Tenho
sentido inquietações constantes, batimentos acelerados, aquela sensação de
queimação na garganta e engulo o choro.
Pensei agora no cigarro. Tá na bolsa,
presa na cama vazia de um só corpo e ainda distante. Ele seria um bom
companheiro, acende, puxa, sente e passa... Me leva a certa embriaguez. Às
vezes o elevador me causa equivalente sensação. Ambos me levam para níveis de
contraposição. Na caixa de metal estou presa a vozes sussurrantes, com corpos
encaixados e olhares se desviando por civilidade. No malboro é na caixa
cinzenta que sussurram vozes insolentes, mas aqui é solidão. Lembro também de
uma escada a metros do andar térreo, está de noite, as luzes acessas, o comércio
fechando as portas, os bares avivassem; a cidade é outra face. E o que me resta
são os sussurros, a imagem e o último trago. Sentada no chão, ar fresco como só
a cidade sabe poluir, as buzinas e as luzes. Findou-se.
Já não posso levantar, espero por
alguns instantes.
Essa vida me embriaga.
O relógio chama, esgotou-se sua
solidão para, então, sentir-se só em coros configurados.
Pane no sistema, a cabeça frita.
Benditas lembranças!
Oro, oro por ti. Mas você agora não,
por favor. Recaio sobre a exaustão de poucas palavras.
Acho que talvez devesse ao mundo minha
lucidez. Devesse a mim minha embriaguez... Ou pequenez. Mas devolva-me uma dose
de pessimismo, acrescente três gotas de paz. Caso não tenha, sirva-me
serenidade. Na ausência dos dois, traga-me uma cerveja, a que tiver, por favor.
Não irei enchê-lo nessa noite, beberei e, se me permitir quebrar regras,
traga-me fogo para exalar uma fumaça de proteção ao meu redor. Estou exausta
por hoje, aceito a invisibilidade e a conta eu pago depois.
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