terça-feira, 9 de julho de 2013

Malboro ®

Exausta com poucas palavras, agora insônia e um zumbido no ouvido que sempre me tira do silêncio.
Estou a pensar na vida, minha pele do rosto sensível à emoção e à temperatura começa a dar sinais de irritação. Tenho sentido inquietações constantes, batimentos acelerados, aquela sensação de queimação na garganta e engulo o choro.
Pensei agora no cigarro. Tá na bolsa, presa na cama vazia de um só corpo e ainda distante. Ele seria um bom companheiro, acende, puxa, sente e passa... Me leva a certa embriaguez. Às vezes o elevador me causa equivalente sensação. Ambos me levam para níveis de contraposição. Na caixa de metal estou presa a vozes sussurrantes, com corpos encaixados e olhares se desviando por civilidade. No malboro é na caixa cinzenta que sussurram vozes insolentes, mas aqui é solidão. Lembro também de uma escada a metros do andar térreo, está de noite, as luzes acessas, o comércio fechando as portas, os bares avivassem; a cidade é outra face. E o que me resta são os sussurros, a imagem e o último trago. Sentada no chão, ar fresco como só a cidade sabe poluir, as buzinas e as luzes. Findou-se.
Já não posso levantar, espero por alguns instantes.
Essa vida me embriaga.
O relógio chama, esgotou-se sua solidão para, então, sentir-se só em coros configurados.
Pane no sistema, a cabeça frita. Benditas lembranças!
Oro, oro por ti. Mas você agora não, por favor. Recaio sobre a exaustão de poucas palavras.

Acho que talvez devesse ao mundo minha lucidez. Devesse a mim minha embriaguez... Ou pequenez. Mas devolva-me uma dose de pessimismo, acrescente três gotas de paz. Caso não tenha, sirva-me serenidade. Na ausência dos dois, traga-me uma cerveja, a que tiver, por favor. Não irei enchê-lo nessa noite, beberei e, se me permitir quebrar regras, traga-me fogo para exalar uma fumaça de proteção ao meu redor. Estou exausta por hoje, aceito a invisibilidade e a conta eu pago depois.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tentativa

Sou
são
em vão.

Veja.
Esteja.
Reconheça.

Insano.
Injusto.
Puro.

Grato,
amor,
grata.

Por tudo,
por uma...
por vida,
obrigada.

Por rap,
por happiness,
por 3 "efes".

Por cor,
por corpo,
por desejo, ensejo, seu seio.

Carinho.
Caminho
outro.

Obrigada,
grata,
Agradecida.

Além,
além de nós,
por nós.

Um gosto.
Gostoso amor.
Amo.
Obrigada,
você.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia de amor

Uma flor.
Uma rosa rosada.
E esse sorriso que não me sai do rosto.

domingo, 30 de setembro de 2012

O breu, o fósforo, o cigarro, a lanterna. Uma ideia.

Ok. Tá difícil lidar comigo. "Quem mandou ser grande", a voz da minha mãe invade este quarto quase de entulho. Atrás uma criança dorme.
Conflito, não no quarto, nem no banheiro, tampouco pelas vielas. É no breu que só uma noite sem luar compadeceria do eco. Grito e a voz a se repetir e sumir sumir sumir sumir. Precipício, poço, imensidão, só eu. As pilhas não têm mantido por mais de três dias essa lanterna acessa. Talvez um fósforo. Tenho um cigarro no bolso. Um cigarro, um fósforo, uma lanterna sem energia. Pensa, pensa, pensa... O breu, tá para todos os lados, inferno! Se este fosse, ao menos o fogo manteria clara a visão, aqueceria o corpo, ocuparia a mente - imagina quantas figuras excêntricas no inferno! Volto ao breu, ao cigarro, ao fósforo e à lanterna. Estou só, nem minha companhia parece segura, na verdade não parece com nada, tá escuro. Vai continuar escuro, parece sempre noite. Sonho durante a noite! Sonho muitas coisas, coisas com luz, talvez uma caixa cheia de fósforos! Ou um maço cheio e um fósforo? Pilhas, muitas pilhas! Mas se é um sonho, posso sonhar outro lugar. Mas outro lugar... Outra vida? É isso? Talvez devesse ter nascido fora de Sagitário, acho que a vida seria mais unipolar.
Continuo acordada, um fósforo, um cigarro, uma lanterna. O breu. Sonhar ou não sonhar, eis a questão? Com o que sonhar, olk. Um vinho, vou sonhar com um vinho, um fósforo e um cigarro. E o breu. A única coisa que agora vejo é a fumaça a se espalhar no ar, vagarosamente a se desfazer. Outra tragada, o branco, o breu. O vinho. Toco à boca a garrafa; o gosto invade por todo meu céu, desce a garganta.
Os olhos fecho por um instante, a fim de sentir, apenas sentir. Mas tá um breu, por que fechá-los? O gosto parece tão real...!
Acordo embriagada, preocupada olho para as mãos, agora é o segundo cigarro, outro fósforo. Sensação confortante tê-los. Parece que estou me acostumando ao fósforo, ao cigarro e à lanterna. Somos 5? Já não sei, este breu sou eu? Então, apenas 4. Satisfaço-me com a ideia de acender o cigarro com a ponta do fósforo e tragá-lo. Satisfaço-me com a imaginação. Agora somos 5. Talvez só um, a ideia da vida. Masse são eles que estão me proporcionando a ideia e posso senti-los, ainda tenho tato, como pode tudo ser apenas uma ideia? O breu. Talvez eu esteja sem visão apenas. O branco da fumaça? Boa ideia.

quarta-feira, 18 de julho de 2012