terça-feira, 22 de maio de 2012

"Atravessa este verso a vontade nua"

Tocou-me o sexo com propriedade de quem sabe o que lhe pertence
Era apenas um beijo e abraço
Mas braço foi instrumento para o princípio da minha nudez completa
E beijo tocou além dos meus lábios.
Encontrei-me sob seu corpo - a desejar-lhe -
E o meu já se embriagava com seu olhar
No toque sucumbia,
calor,
meu corpo era só prazer e delírios.
Não havia nada além de nós
- exceto a possibilidade do fim interrupto -
Sua tensão se confundia com tesão, meu, seu...
A lembrança me faz revirar a cabeça, morder gentilmente os lábios enquanto passeio com a mão na nuca, por uma tentativa de senti-la, recriando na mente a vibração do meu corpo.
Desejo ardente de tê-la,
de nos termos,
de ser sua.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Heraclitando com Parmênides e Andrade

esse já é um outro momento, outra trilha sonora. um rap. a mesma caneta, uma outra mão. há tempos que coisas suas ainda eram tomadas, feito degustação de um vinho ruim, me embriagava. meu dedo tem feridas abertas, era falta de sol, ar fresco. sua pigmentação mostra a ausência de vida. olho para minha mão e não a acho mais vazia, tá nua e completa. parece até mais leve, mas acho que isso se dá pela proposta da manhã, de se ter um bom dia. esses dias minhas palavras conjugadas estão como desabafo, transcorridas numa lógica argumentativa. compreensão. um outro momento, em que me relaciono com as coisas num estado de espírito diferente, como aquele rio que não é o mesmo, ainda que seja água.

38,2°

Ela me indicou a ouvir um Jazz para suavizar o coração e escrever sobre esse sentimento. Bom, aqui estou eu. Relembrando meu método de meditação. Ontem palavras arranharam uma folha salmão, hoje são esses dedos que apertam cada letra, talvez menos teimosos e raivosos. Acordei depois de uma batalha do estresse com a ansiedade, corpo dolorido, nós (que se danem eles). Verdade, tenho pensando muito no 'vós' e suas vozes. Dão a alucinógena ideia de um redemoinho cheio de cores, cabeças girando, suas vozes de insatisfação, seus orgulhos rachados. Todos estão em mim. Há tempos atrás tomei uma decisão, cabeça quente, coração acelerado, e acho que foi uma tentativa fracassada. Olhando por um prisma interno, talvez a decisão não tenha sido tomada por mim, era o 'nós' mais uma vez. Pensando cá com meu botões, talvez seja essa um risco por mim, para mim. Quais são os fatores externos dessa decisão? É preciso entender tudo que a envolve. Item primeiro e tiro certo: família, mãe. Tem fator que me atinge mais certeiro que esse? Certamente não. Como atinge, dá pra observar e analisar isso? Tentemos. Autoestima, limitação, solidão, falta de espaço. Acho que por ai caminham bem os fatos. Segundo: PUC, não digo 'universidade' pois o peso está no nome. Sonho meu, no que mais se embasa mesmo? Parece ter se desfeito. O que a voz da minha vó soará quanto a isso? Foi a primeira coisa que pensei. Ainda não sei, talvez se eu tiver meus argumentos consolidados ela possa entender, apoiar talvez. Amigos? "Que loucura! Mas é isso que você quer? Então a gente apoia". E eu? Onde entro, qual minha participação nessa vida? Quando penso nessa ideia meu peito se enche de esperança, parece preenchido. Uma satisfação. Mas uma vez ouvi em sala de aula "é melhor errar em conjunto, do que acertar sozinho". Olha, isso parece explicar meu medo. Não estou falando em mudar de roupa, nem penteada (isso já é uma preocupação em nível maior que vestimenta), não falo em trocar de relacionamento, quiçá uma nova tatuagem. Falo em mudar minha posição na vida. Serão necessárias tamanhas mudanças? Pensemos com consciência.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MHz

Não que eu não queira mudar, só não pretendo tirar tudo do lugar. Vale mais saber do que se trata em cada bibelô na estante. E deixá-lo embaixo para que as crianças tenham acesso com seus espíritos livres. Limitados tão nós. Agora gostaria que o Piloto desenhasse uma caixa pra minha rosa, a mais bela rosa. Talvez o carneiro a devore. Mas então nenhum de nós a terá por causa de sua cúpula. De que vale a caixa? É melhor plantar sementes e tratá-las como únicas, pois assim são. Todos em seus livres espíritos e aspirações. Também os bibelôs tenham alma e a estante seu lugar estável, ainda que mutável. Talvez objeto ou outro precise de reconhecimento, mas o labirinto... Ah, este é um calabouço. É preciso respeitar sua magistralidade e me reconhecer como mero mortal. E mudar a estação de rádio, na estante.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A dor e a delícia de ser o que é

Estive aqui.
Senti aqui, vivi aqui.
Hoje me perdi um pouco mais em mim, conheci caminhos descalços.
Senti-me, ainda sem o toque...
Estive em contato comigo,
Sem vergonha, sem repulsas,
Sem desculpas.
O bote em meio a vastidão avistou um corpo, parecia real. Era sentimento.
Guardado, escondido.
Era uma chave, mas parece não corresponder ao cadeado.
Foi um encontro, sem velas,
Sem uma bela canção,
Era amargo,
Íntimo,
Dolorido.
Era eu, sendo.

domingo, 8 de abril de 2012

Blues

Life, love e the blues.
Começo com Etta, ainda em meu sonoro.
Que Meireles, em nossas vastidões?
Que outras memórias?
Póstumas?
Parecem mortas, sem lamento, quiçá recordação.
Do que falo?
Se não minha vida?
Talvez vazio.
Creio que jardins, Jasmins. Joãos, Bernardos, Valentinas, amores.
Uísques e anedotas.
Já Billie me traz Davis, que lembrança!
Seios tão meus.
Digam-me canções, dizeres, poemas... Pra onde ireis?
Perder-se? Ainda que sejas caminho, Lispector.
Estou tentando estar aqui.